Literatura de cordel
Gravura do livro "Matrícidio sem exemplo" de Camilo Castelo Branco “Lá na vila piscatória em que passei a infância, em cada segunda-feira a pacatez levava sumiço à conta de uma feira… … havia um velhote que nunca faltava, a um par de metros de uma taberna onde almoçava frugalmente, e lhe emprestavam duas cadeiras meio desconjuntadas. De uma cadeira à outra ele punha um cordel não muito grosso e dele fazia pender uns cadernos de capas coloridas e umas folhas volantes, que prendia com pregadeiras de roupa. Em cima de uma cadeira havia um jornal dobrado, aonde ele colocava a bota e dedilhava a sua viola, que nem sempre tinha as cordas todas. A voz era roufenha, lamurienta, mas já contávamos com isso porque anunciara antes “um grande e horrível crime”. Toda a gente punha os olhos na folha onde estavam os versos e o retrato da rapariga que levara as dezassete facadas do namorado, que parecia ter sido enganado e afinal o que ele vira fora uma cena inocente da moça agarrada a chorar...