Os topónimos mais frequentes em Portugal

 

Imagem gerada pela plataforma DeeVid AI

Como já referi numa publicação anterior, os CTT disponibilizam uma lista, que se pode transpor para Excel, em que apresentam todos os códigos postais de todas as localidades de Portugal. É necessário que se registe no portal, mas o acesso a essa informação é gratuito. A lista está disponível nesta página.

Com base nessa lista, já fiz algumas publicações, sobretudo relacionadas com a possibilidade de origem fenícia de alguns topónimos. Se tiver curiosidade, sugiro a leitura desta outra publicação.

Desta vez venho apenas mostrar quais os topónimos mais frequentes e como se distribuem quanto aos seus “tipos”, de acordo com uma classificação que achei adequada.

A lista consta de 49462 “localidades”.

Identifiquei os 100 topónimos mais comuns. Estes referem-se a 21958 localidades, ou seja cerca de 44% do total.

Note-se que esta é uma abordagem simplificada como vou esclarecer.

Desde logo, para efeitos desta contabilidade, fiz uma transposição dos nomes das localidades de forma a ficar apenas a primeira palavra.

Exemplos:

De “Oliveira do Bairro” ficou “Oliveira”, de “Ribeira de Frades” ficou “Ribeira”, etc.

Fiz também algumas agregações estatísticas quando me pareceu claro que eram denominações muito equivalentes. Exemplos:

    • Quinta; quintas; quintã; quintãs; quintans
    • Casal; casais
    • Vilar; vilarinho; vilares; vilarelho; vilarelhos; vilarinhos

Em qualquer caso, tendo em conta os milhares de topónimos e as inúmeras variantes, seria impossível definir uma regra clara sobre a forma de os agregar. Veja-se por isso este exercício apenas como uma curiosidade que nos permite ter uma ideia geral de frequências.

Considerei ser possível classificá-los de acordo com a seguinte tipologia:

    • Agricultura; Denominação de um agregado habitacional que remete diretamente para atividade agrícola (Ex: Casal, Quinta)
    • Orografia; Nome corresponde a uma característica orográfica (Ex: Monte, Vale)
    • Povoado; Denominação de um agregado habitacional, sem direta referência a nenhuma atividade (Ex: Bairro, Vila)
    • Religião; Nome remete para o âmbito religioso (Ex: Santa, São, Cruz)
    • Estrutura; Corresponde a um tipo de construção humana (Ex: Ponte, Torre)
    • Água; Nome relacionado com a água (Ex: Fonte, Ribeira)
    • Lenda; Nome resulta de algum evento ou memória estranhos (Ex: Cabeça ... de cão, etc)


Vinte topónimos mais comuns 

De acordo com esta análise, os topónimos “Casal” e “Monte” surgem nos dois primeiros lugares em quantidades semelhantes. Em ambos os casos com mais de 2200 ocorrências! Recordo que esta contabilidade integra todas as variantes que tenham esta palavra no início, como “Casal de Baixo” ou “Monte do Bispo”.

Com mais de 1000 ocorrências surgem ainda “Quinta”, “Vale” e “Bairro”.

Este último, “Bairro”, em muitos casos não corresponde a uma localidade, mas sim a uma zona de uma localidade maior. mas neste levantamento não é possível distinguir.

“Vale” e “Monte” de certa forma complementar-se-iam, dependendo do aspeto orográfico a salientar.

Na 6ª posição surge “São”, que remete para uma diversidade de santos, como por exemplo “São Bento”, “São João da Madeira”...

Na 7ª posição, “Urbanização”, corresponde a uma denominação moderna e à semelhança de “Bairro”, de uma forma geral refere-se a uma zona de uma localidade.

“Vila” surge na posição seguinte. É uma denominação antiga de “Povoado”. “Aldeia” surge pouco depois na lista. É curioso que se contabilizem mais “Vila” que “Aldeia”, ao contrário do que seria natural, talvez porque “Vila” assumia mais prestígio e as aldeias tenham encontrado muitos nomes alternativos.

“Outeiro” surge a seguir na lista, pertencendo ao grupo das denominações orográficas.

“Fonte” completa o pódio dos dez primeiros nomes de lugares. É o primeiro que remete diretamente para a relevância da água no estabelecimento de comunidades humanas.

Analisando as percentagens, constatamos que as 10 primeiras posições, no seu conjunto, correspondem a cerca de 20% do total. Ou seja, em média, um em cada 5 topónimos é de uma destas dez primeiras variantes.

Posições 21 a 40

 

Posições 41 a 60

 

Posições 61 a 80

 

Posições 81 a 100

 

Veja-se por curiosidade a tabela seguinte que mostra a distribuição destes 100 topónimos pelos tipos identificados.

Não é de espantar que “Agricultura” seja o tipo mais frequente, tendo em conta a relevância que essa atividade teve na criação e desenvolvimento das comunidades. Também na minha opinião a ordem por que surgem não surpreende.

 

Distribuição de topónimos pelos tipos identificados

 

Legenda:

Variantes: número de topónimos a que se atribui o mesmo tipo

Média: Número médio de topónimos por “Variante”

Exemplos:

    • “Casal” e “Quinta”, são duas variantes do Tipo “Agricultura”.
    • Nos 100 primeiros topónimos há mais 30 outras variantes de topónimos, do tipo “Agricultura”, pelo que temos 32 “variantes”.
    • Como este Tipo corresponde a 6766 localidades, temos uma média de 211 localidades por variante.

Por último, caso tenham curiosidade em conferir, mostra-se a lista segmentada por Tipos.

 

 

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